![]() | Ainda que a condição do local onde algumas crianças do mundo dormem era deplorável, mostrada no post "Onde as crianças do mundo dormem" e na sua segunda parte", pelo menos ali elas não estavam vivendo sob um estado de guerra, hostilidade e fome, como nos mostra o repórter fotográfico Magnus Wennman, que já ganhou vários prêmios por seu destacado trabalho e que recentemente publicado uma surpreendente série de fotos que mostra o que acontece as crianças no Oriente Médio e muito próximo de Europa quando fogem do conflito na Síria. |

Para criar este "Onde as crianças refugiadas dormem", o fotógrafo viajou para todos esses lugares onde estas crianças estão fugindo com suas famílias para nos contar suas histórias.
Wennman fez estas fotos para o jornal sueco Aftonbladet, e em uma entrevista para a CNN disse que as pessoas podem não entender muito bem o que é este conflito e a crise na Síria:
- "Mas, por outro lado, não custa nada entender que as crianças precisam de um lugar seguro para dormir. Isso é mais fácil de compreender", disse.
- "Alguns perderam a esperança", acrescentou Wennman. - "É muito difícil que uma criança deixe de ser um menino e deixe de se divertir, inclusive em lugares realmente duros".
Esses pequenos tinham uma vida como a de qualquer outra criança do mundo: brincavam, jogavam bola e eram felizes. Mas de repente foram obrigados a deixar para trás seus quartos, seus brinquedos, famílias, amigos e sonhos. Como fugiram da guerra não têm nenhum (ou tem muito pouco) recursos e assim acabam sucumbindo a doenças. E, se já não fosse o bastante terem que se arranjar e dormir no primeiro canto que possam deitar -seja grama, mato ou asfalto-, ainda são alvo de discriminação e xenofobia.
Pese sua tenra idade, essas crianças já conheceram bem de perto o lado mais maligno e cruel do ser humano.
Lamar, 5 anos, Horgos, Sérvia

Abandonou em seu lar em Bagdá suas bonecas, sua bola e seu trem de brinquedo, e com frequência fala deles quando mencionam sua casa. A bomba mudou tudo, por sorte caiu quando a família tinha saído para comprar comida. Mas já não podiam viver aí. Depois de duas tentativas de cruzar o mar pela Turquia em um bote de borracha, conseguiram chegar à fronteira fechada da Hungria. Agora Lamar dorme em uma manta no bosque, assustada, congelada e triste.
Abdullah, 5 anos, Belgrado, Sérvia

Abdullah tem uma doença sanguínea. Os dois últimos dias dormiu fora da estação central em Belgrado. Viu quando mataram sua irmã em sua casa em Daraa. Sua mãe diz que ele ainda está em choque e tem pesadelos todas as noites. Está cansado e doente, mas sua mãe não tem dinheiro para comprar remédio.
Ahmed, 6 anos, Horgos, Sérvia

Ahmed dorme na grama depois da meia-noite. Os adultos ainda estão acordados planejando como sair da Hungria sem que sejam registrados pelas autoridades. Ahmed leva sua própria mochila enquanto fazem o caminho a pé. Seu tio diz que o menino é valente e só chora às vezes pelas tardes. O tio cuida dele desde que assassinaram seus pai em Deir ez-Zor, ao norte da Síria.
Maram, 8 anos, Amman

Maram acabara de chegar do colégio quando um míssil caiu em sua casa e um caco de telha caiu na sua cabeça. Foi levada ao hospital e daí à fronteira com a Jordânia. O golpe causou-lhe uma hemorragia cerebral e os primeiros 11 dias passou em coma. Agora está consciente, mas tem a mandíbula quebrada e não pode falar.
Ralia e Rahaf, de 7 e 13 anos, Beirute

Ambos vivem nas ruas de Beirute. São de Damasco, onde uma granada matou sua mãe e seu irmão. Estão dormindo faz um ano nas ruas com seu pai. Se encolhem em suas caixas de papelão, e Rahaf diz que tem medo dos "garotos maus". Ralia chora.
Moyad, 5 anos, Amman

Moyad e sua mãe iam ao mercado em Daraa e passaram junto a um táxi no qual tinham colocado uma bomba. Sua mãe morreu no mesmo instante, mas ele foi transladado a Jordânia, e tem estilhaços em sua cabeça, costas e pélvis.
Walaa, 5 anos, Dar-El-Ias

Quer voltar para casa, em Alepo, onde tinha seu próprio quarto. Ali nunca chorava, mas no campo de refugiados chora todas as noites, porque foi a noitinha quando ocorreram os ataques. De dia, sua mãe constrói um "forte" de travesseiros, para que passe o medo.
Ahmar, 7 anos, Horgos / Roszke

Ahmar estava em casa em Idlib quando a bomba explodiu. Recebeu estilhaços na cabeça, mas sobreviveu. Seu irmão pequeno não. A família convivia com a guerra há tempos, mas sem casa não tiveram escolha e se viram forçados a fugir. Agora Ahmar dorme no asfalto como outros milhares de refugiados na estrada que leva à fronteira fechada da Hungria. Estão ali faz 16 dias e dormiram em paradas de ônibus, na estrada e no bosque.
Shiraz. 9 anos, Suruc

Shiraz foi diagnosticada com poliomielite aos três meses e o médico disse a seus pais que ela não teria muitas oportunidades. Quando chegou a guerra, sua mãe a envolveu em uma manta e a levou no colo de Kobane até a Turquia. Shiraz não pode falar, recebeu uma cama de madeira no campo de refugiados e ali jaz dia e noite.
Shehd, 7 anos

Gosta de desenhar, mas ultimamente sempre desenhava o mesmo: armas, porque as via todo o tempo, em todos os lugares. Agora dorme no chão junto à fronteira com Hungria e já não desenha, já que ao fugir sua família não trouxe papel nem lápis. Shehd também não brinca, está debilitada pois sua família tem dificuldades para encontrar comida. Às vezes apanham maçãs de árvores que crescem junto à estrada. Sua família diz que se soubesse o calvário que era a viagem, teriam arriscado suas vidas ficando na Síria.
Amir, 20 meses, Zahle Fayda

Nasceu como refugiado, e sua mãe acha que ficou traumatizado já no útero, porque ele nunca disse uma palavra até agora. A família vive agora em um barraca de campanha de plástico. Amir não tem brinquedos, mas brinca com tudo o que encontra no chão, e vive rindo o riso dos inocentes.
Juliana, 2 anos, Horgos, Sérvia

A família de Juliana está caminhando faz dois dias pela Sérvia, esta é a última fase de uma fuga que começou três meses atrás. Juliana descansa em uma manta no chão e sua mãe a cobriu com seu xale para que os insetos a deixem em paz. Estamos no final de Agosto e a Hungria vai fechar suas fronteiras com alambrado para que os refugiados não possam mais atravessar, mas ainda é possível passar por Horgos, e a família vai tentar.
Fara, 2 anos, Azraq

Fara gosta de futebol, e seu pai tenta fazer bolas para ela e sua irmã Tisam de nove anos, com tudo o que encontra, mas não duram muito. Eles não têm muitos sonhos, mas ainda não se renderam para conseguir uma bola para jogar.
Fonte: Hypeness.
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Comentários
Nem sei o que dizer...
Como odeio até fundo da minha alma esses desgraçados do estado islâmico.
Eu acho que compreendo os impactos para a economia dos países em que esse refugiados veem tentando se "abrigar", mas acho que estas faltando muito de "humanidade" dos governantes e seus povos. :-(
Triste e revoltante.
Entre todas essas crianças, as sobreviventes que chegarem à idade adulta, quantas terão uma vida normal, sem traumas e sem o coração gelado?
Só não entendo uma coisa, como 2 adultos em situações completamente fudidas fazem filhos
Ah! To com o coração partido! Tão pequenos e tão sofridos! Fiquei com vontade de trazer todos para minha casa, dar comida, banho, , brinquedos e uma cama quentinha e macia para eles dormirem.