![]() | Quando o homem começou a trabalhar o bronze, uma semente de pinheiro bristlecone brotou e sobreviveu até os nossos dias. Eles viveram milênios. Dispersos em bosques sub-alpinos no oeste dos Estados Unidos e Canadá, algumas dessas árvores antigas têm mais de 5.000 anos. Elas contêm em suas fileiras os mais antigos indivíduos conhecidos de qualquer espécie na Terra. Entre elas está Matusalém (fotos 1, 2 e 3), com 4.846 anos, o ser vivo conhecido não-clone mais velho do mundo e cuja localização exata não é divulgada em favor da sua proteção contra vandalismo. |
Mas por que diabos esses pinheiros são tão retorcidos? A resposta se deve na madeira do longaeva, que é tão densa e resinosa que é particularmente resistente ao ataque de insetos.
Pela mesma razão, é quase impermeável ao ataque fúngico ou a qualquer outra irritação potencial que o ambiente possa infligir.
Seus vizinhos, espécies menos resistentes e tenazes, murcham e morrem: contudo, o bristlecone perdura muitas vezes até mesmo depois da morte.
Essas árvores incríveis nem sempre tiveram esse aspecto. Quando jovens, seus galhos eram lisos e retos, como a de qualquer outro tipo de pinheiro.
No entanto, elas tinham inimigos que podem erodir até pedra: vento, chuva, sol e frio.
Todas estas forças conspiraram para destruir estes pinheiros primitivos ao longo do tempo, mas apesar de terem deixado suas marcas, todos falharam.
Por isso o pinheiro bristlecone fica retorcido e deformado com a idade, como se, em uma metáfora, incorporasse tantas de nossas agonias e êxtases terrestres.
Mesmo quando a morte chega, as raízes, tão fortes e densas, podem suportar o cadáver durante séculos.
Para muitos, a morte é um processo prolongado. Quando grande parte do tecido vascular da árvore finalmente morre, ainda deixa para trás uma faixa de material vivo.
Este galhos que perduram na madeira sem vida continuam fotossintetizando e regulando a água... ainda há vida.
Ironicamente, a madeira morta pode muito bem ser a que permite que a vida continue.
A incrível longevidade do bristlecone pode estar diretamente relacionada à alta proporção entre madeira morta e viva.
Acredita-se que à medida que essa proporção aumenta, inevitavelmente diminui a perda de água e também a respiração, mas aumenta o ciclo.
Assim a vida agonizante da árvore é prolongada e talvez seja, de fato, um ato de suicídio que dura séculos.
No entanto, pode haver problemas para as três espécies de pinheiros longaeva. Como tem uma taxa tão baixa de reprodução e regeneração, teme-se que a mudança climática possa impossibilitar que ele mantenha seus números.
Não apenas isso, mas uma espécie de fungo da ferrugem, originário da Ásia, chegou ao hábitat das árvores, e ninguém sabe ao certo como elas vão se portar com uma praga desconhecida até agora, para elas.
Não apenas isso. O aumento das temperaturas fez com que o besouro do pinheiro nativo também conseguisse penetrar no antigo território do Pinus longaeva.
A árvore não tem qualquer imunidade natural à ferrugem ou ao besouro, mas, tendo já suportado todas as intempéries por milhares de anos, só se pode esperar que persevere por outra era.
Enquanto as mudas continuarem a brotar há, afinal, esperança. Em alguns milhares de anos estes jovens brotos estejam contando outras histórias.
Como herdeiros da magia e do silêncio, estas árvores parecem sábios perenes que guardam a passagem do tempo em sua quietude.
Ainda que seu tempo na Terra seja muito difícil de compreender para a escala humana (é uma escala de imortalidade, pelo que podemos inferir), sua existência não pode mais que infundir em nós o assombro e o mais fundo sentimento de humildade.
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