![]() | Lições sobre o ateísmo serão ensinados para milhares de alunos das escolas de primeiro grau da Irlanda pela primeira vez. As aulas sobre ateísmo, agnosticismo e humanismo foram elaboradas pela organização Atheist Ireland e pela escola Educate Together, em um sistema educacional que sempre foi dominado tradicionalmente pela hierarquia da igreja católica. |

Em verdade as milhares de crianças que vão à escola primária irlandesa receberão aulas sobre religiões como parte de seu curso de introdução básica à ética e aos sistemas de crenças, quando poderão ler textos como "A magia da Realidade" de Richard Dawkins, um livro de conteúdo ateísta dirigido às crianças.
Mas Michael Nugent, co-fundador da organização, sublinhou que todos os alunos do ensino primário, incluindo parte da população que frequenta escolas dirigidas pela Igreja Católica, podem acessar seu curso de ateísmo na internet e baixar um aplicativo gratuito para smartphones. Ele disse que estes seriam anunciados e oferecidos a todos os pais com filhos em escolas primárias no estado.
- "Haverá um módulo de 10 aulas entre 30 e 40 minutos para as idades de quatro anos para cima. Isto é necessário porque o sistema educacional irlandês por muito tempo foi totalmente tendencioso em favor do doutrinamento religioso. Se os pais cujos filhos estão nas escolas sob o controle da igreja, não querem que seus filhos aprendam apenas uma religião, podem optar por utilizar nosso curso como uma alternativa para seus filhos", disse.
Os organizadores deixam claro que as aulas não se fundamentam no princípio de criar ateísta, senão que o currículo, que abrange a ética, crenças e religiões, será mais amplo, com informação sobre diversas religiões, incluindo a não crença do ateísmo.
Eu sempre fui a favor de aulas de religião em quaisquer escolas, no entanto sempre fui contrário a ideia de aulas -ao estilo catecismo- que abrangem uma só doutrina. Digo isso porque certamente uma matéria sobre os diferentes credos que existem no mundo, uma que comparasse suas ideias, seus valores e que falasse de seus conflitos históricos, seria a maior máquina de ateus jamais concebida.
A verdade é que a escolha da religião na atualidade depende quase que unicamente da localização geográfica: as crianças acreditam naquilo que seus pais acreditam em função do credo mais professado em seu país, sem se importar se na verdade existem reais méritos teológicos para esse ou aquele culto. Algo como um copi-cola sem fim.
Outro fato que logo geraria dúvidas nas cabecinhas pensantes é que todas as religiões não podem estar corretas em relação a seus conceitos dogmáticos, pelo menos não todas ao mesmo tempo. De forma que existem muitas visões contraditórias em relação a um mesmo assunto, para que uma esteja correta é necessário que outras estejam erradas.
E ao final, como diz uma famosa frase, todos somos ateus, até mesmo os mais religiosos são ateus com os deuses dos outros, porque afinal muitos caçoam quando escutam sobre as façanhas e feitos de Tupã, Odin, Baal, ou até do Monstro do Espaguete Voador.
Se as crianças não sofressem uma influência direta dos pais e fossem deixadas livres para razoar; curiosas e sagazes que são, concluiriam sozinhas o que é melhor para elas. A única razão pela qual uma criança se permite a conversão é a pressão dos pais e da comunidade. Assim como não existe uma criança direitista ou petista, não existe tal coisa como uma criança muçulmana ou cristã. Estas crianças são apenas filhos de pais cristãos ou filhos de pais petistas.
O caso é que, se não sofrer nenhuma pressão, podemos com certeza inferir que assim que a criança crescer, e depois de analisar as evidências e fatos, vai perceber por sua própria conta e risco que Papai Noel não existe.
Fonte: The Guardian.
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Comentários
Ótimo, de que vale a escola ser laica como as que eu estudei se os professores não são?
Ok, Elbereth.
Argumentaremos despretensiosamente e aprenderemos um com o outro. Faremos um exercício filosófico de lógica argumentativa acerca do que baseia nossa visão de mundo. Será ótimo. Bom dia,
__________________________________
Matahari,
Quiçá, minha inteligibilidade episódica esteja infundida pela retórica científica, e/ou, por preciosismo. Saudações,
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Moonwalker,
Só me resta expectar...
GOL!
Mais um motivo pra amar a querida Irlanda
Eu não mando nada aqui, Alucard. Se o Luisão liberar, por mim pode ocorrer o debate. Mas precisa ter moderação. E convenhamos, aqui no Mdig eu só conheço um ou dois ateus/religiosos com quem vale a pena conversar.
"Eis um assunto que ja encheu... ...É algo tão pessoal (ao menos deveria ser) e subjetivo que fico me perguntando como uns se sentem no direito de fazer qualquer tipo de juízo."
Obrigado pela resumida Estatístico... penso exatamente o mesmo. :roll:
Alucard, combinado. Mas já deixo explicado que não quero, nunca quis, convencer ninguém. Só acho bacana entender outras crenças. Agrega valor.
Estatístico, eu me cansei de debater com fanáticos extremistas de qualquer crença. Na verdade, de fanáticos extremistas de qualquer coisa, até por isso que me afastei de alguns ateus. Só tento escolher bem com quem converso sobre o tema, pra pegar pessoas com educação e que aceitam que você pense diferente.
Angeline, nem esquente. Eu sou loira, então não ter nexo é comigo mesmo kkkkk
Alucard!!!
Que satisfação! Estou entendendo rapidamente o que escreve!
aheaheaheahe
Acho que devem ensinar essa religiao ,mas, também tenha que ter ensino religioso-2 aulas por semana.
eu acho isso ridículo,não deveriam ensinar religião nenhuma até a criança crescer e ter consciência do que é bom para ela.
Não sou muito boa em separar minhas ideias. O que devo ou não escrever. Desculpe pela falta de nexo.
Ensino ateísta nada mais é do que estar ensinando as crianças a continuarem da forma como vieram ao mundo, do jeito mais puro possível.
Ninguém nasce crente, e ninguém precisaria virar ateu, pois crenças são assombrações que te plantam na cabeça.
Eis um assunto que já encheu. Acho que cheguei num ponto onde, para evitar confrontos, aceito qualquer bobageira que me digam. É algo tão pessoal (ao menos deveria ser) e subjetivo que fico me perguntando como uns se sentem no direito de fazer qualquer tipo de juízo. Só o que vejo são pessoas buscando "doutrinas formalizadas" que se encaixem, de alguma forma, em suas imperfeições e especificidades. Ninguém pensa em mudar ou adaptar a fim de se autocorrigir e progredir, e sim, buscar aceitação para características que o bom senso acusa como desinteressantes.
Quanto à iniciativa, acho mais justa do que a realidade atual. Sob meu olhar, o melhor seria simplesmente não haver qualquer referência a essa temática em escolas, mas já que isso é impossível, que seja algo democrático.
Eu não creio nem descreio, apenas acho tudo isso uma grande perda de tempo.
Na verdade, Elbereth, eu estava pensando em participar, mas não de imediato. De imediato, eu estava pensando apenas em intermediar, pois deve haver menos problemas se houver regras e um moderador. Como, no momento, estou trabalhando em um artigo, estou com pouco tempo. Preciso ter um pouco mais de tempo para um importante debate como esse. Vamos combinar: assim que eu possuir mais tempo, eu mando um e-mail a você. Então, a gente “manda ver” nos argumentos. Ok?
Bom dia,
(P.S.Imaginário: mude de ideia Moon... A vida é bela...)
Angelina, então me desculpe, mas é que achei seu comentário meio desconexo do texto, reclamando de um ensino apenas acerca do ateísmo.
De Maria, gostei mais das suas opções. Dão nó na língua, é divertido.
Alucard, se é assim, veja com o Moon o meu e-mail. Sou ateia (e, como o Moon pode atestar, bem tranquila com debates =D)
Ah, era essa a palavra que eu queria usar: imparcialidade.
Elbereth, li o texto, somente falei sobre minha ideia sobre ensino religioso (ou não).
Nem imagino a aflição de ser um moderador, estimado Moonwalker. Aliás, relax, não se trata de angústia de minha parte, apenas interesso-me em perscrutar sobre este tema. Acho que não faria muito sentido um debate sobre este assunto entre você e eu, pois, compartilhamos a posição geral. O ideal seria um debate entre posições bem diferentes, i.e., entre um teísta e um agnóstico, ou, entre um teísta e um ateu. Tamanha diferença de pensamentos é benéfica em um debate, pois, isto torna possível que, na hipótese mais básica, compreendamos nossa própria posição através de uma perspectiva mais abrangente.
Grande Tyr! A vida científica anda exigindo muito de mim... Mas, sempre que posso, estou-me aqui a esquadrinhar. Saudações,
Maria, Maria. Amigo + MDig = (1) AMiguiDig ou (2) AMigoDig? Soa mais agradável, a mim, a primeira opção. =) Bom dia,
Adryanss, Angelina, acho que vocês não leram o texto. Vou colar um pedaço aqui pra ajudar...
"Os organizadores deixam claro que as aulas não se fundamentam no ensino de criar ateísta, senão que o currículo, que abrange a ética, crenças e religiões, será mais amplo, com informação sobre diversas religiões, incluindo a não crença do ateísmo."
Acho justo. Se o ensino religioso é obrigatório a todas as escolas, é bom que se inclua mais de uma religião, inclusive o ateísmo.
Agora, pra mim, é difícil de toda forma incluir o ensino religioso em escolas com isenção. Afinal, é natural que ao menos parte dos professores (e eu acho que uma parte enorme, mas sei lá) tente puxar a sardinha pra religião que seguem. Deve ser difícil manter a imparcialidade no ensino.
Eu era mais a favor de ter aulas de cidadania. Nessas aulas, daria para incluir tanto questões básicas de direito ao consumidor e trabalhista, algumas questões relativas à direito de família, quanto questões de tolerância, para coibir o comportamento preconceituoso contra qualquer coisa, gênero, cor, peso, crença.
Faz parte da evolução intelectual colocar isso em pauta. Ateísmo, seu significado e sua relação com a vida.
É bom que ensinem. Melhor do que ficar observando um bando da abutres tentando cagar na cabeça de quem é contrário.
ALUCARD, seu projeto de vampiro que não deu certo! Quanto tempo!
De qualquer forma, caso queira derramar sua angústia com relação ao assunto, me escreva. :wink:
(Você fala isso porque nunca foi moderador :lol:)
Para mim, isto é uma pena, amigo Moonwalker. Particularmente, consideraria menos significante a manifestação de trolls frente à importância deste assunto. Minha ideia seria um debate entre duas pessoas, mas, por e-mail, com regras que limitariam o tamanho e o número de e-mails. Onde, ao final, toda a discussão seria postada para o escrutínio dos AMiguiDiguianos. Bem... Sigamos com a vida.
Eu discordo, Alucard. Já sou um pouco contra aqui no MDIG, quem dirá no Amigos, onde cada um posta o que quer - ainda que não tenha argumentos ou dicção para isso. O bloqueio do Amigos é uma vacina anti-trolls.
A aquisição de conhecimento é essencial para a formação de teorias, bem como de hipóteses. Uma vez suprimida a expressão sobre determinado assunto, não há pleno fomento acerca da busca pela verdade. Em um importante local deste recinto (Amigos), há supressão de debates filosóficos sobre a probabilidade da existência de Deus. Logo, se aqui, de fato, há a preocupação pelo fomento da busca pela verdade, temo que esta supressão não deveria existir, pois, trata-se do assunto filosófico mais profundo que a humanidade já se deparou.
Se essa supressão não existisse, ou, se doravante não houver objeção, muito me interessaria a promoção de debates sobre esta temática no recinto dito.
Concordo que é interessante ter aula de RELIGIÕES nas escolas, com propósito de formar uma cabeça com ideias mais amplas possíveis, mas que uma escola encaminhe as ideias pelas quais eles devem pensar os alunos é manipulação.
Aula somente de ateísmo, e não de outras ''crenças'', não é interessante, pelo mesmo motivo de não ser legal ensinar somente uma religião.
Escola deve ensinar, e não impor ideias.
Sou contra o ensino religioso (incluindo o ateísmo) nas escolas, porque esse assunto ocupa um campo um pouco mais especial de nossas vidas do que aprender uma coisa para passar de ano. Mas não posso esconder que acho irônico o fato de as associações ateístas tentarem se impor como um grupo cada vez mais parecido com uma religião organizada.
Sobre quem está correto... Acho meio óbvio que não tem como todo mundo estar certo. Mas tudo que estudei por curiosidade alem daquilo que escolhi para acreditar me soou um tanto vazio e sem sentido, tanto com relação a crença quanto a descrença.
Então, eu acho que estou certo. É um direito meu e no fundo todo mundo pensa assim, mesmo que afirme ter a mente aberta.
A polêmica has been planted.
Concordo com o PH! Laico é Laico e não ateu. :ma:
Agora, vai ter apostila para o Cristianismo, para o Hinduísmo, Budismo, etc?
Ou vai ser só ensinamento ateísta? :x
Eita... isso vai longe.
Concordo com o PH, o ideal nas escolas é não ter qualquer tipo de ensino religioso.
Cheguei a enviar para os "Links", há algum tempo.
O ideal, mesmo, é não ensinar sobre religião nenhuma, nas escolas, e um dos motivos, a meu ver, é este:
"Outro fato que logo geraria dúvidas nas cabecinhas pensantes é que todas as religiões não podem estar corretas em relação a seus conceitos dogmáticos, pelo menos não todas ao mesmo tempo. De forma que existem muitas visões contraditórias em relação a um mesmo assunto, para que uma esteja certa é preciso que outras estejam erradas."