
As reações ao atentado foram variadas, mas sem dúvida as dominantes são o lamento, a condenação e o assombro temeroso. No entanto, como é óbvio, este sentimento não é unânime, e entre as opiniões adversas em torno do fato há um conjunto em especial que se distingue por comparar esta tragédia com outras que se vivem em outros países, em muitos deles cotidianamente e, o que é um tanto pior, provocadas por ações do governo americano. Concretamente citam, por exemplo, as mortes de crianças que de vez em sempre acontecem por causa dos drones do exército dos Estados Unidos ou, em geral, de pessoas inocentes cujos falecimentos chegam as dezenas, em ataques ou atentados que lamentavelmente são periódicos e que de alguma maneira se encontram relacionados com a política exterior dos EUA.

No Iraque, por exemplo, no dia anterior à Maratona de Boston vários carros bomba explodiram em diferentes províncias do país, deixando como saldo 42 pessoas mortas e 250 feridos. Igualmente no início de abril um ataque aéreo da OTAN em Kunar, no leste do Afeganistão, provocou a queda do teto de uma casa com o consequente decesso de 10 crianças e 2 mulheres.

Esta comparação que responsabiliza os Estados Unidos por sua própria tragédia constitui um tipo de versão simplista de uma mal entendida lei da causalidade. Se o assunto for analisado com um pouco mais de calma, podemos observar que comparar a dor de uma pessoa ou de uma sociedade com outra é, por dizer o mínimo, impossível, inclusive em termos filosóficos (acho).

Em qualquer caso, parece claro que existe um desequilíbrio entre as tragédias que se desdobram na opinião pública e, com maior profundidade, nas reações que estas suscitam: por um lado, de maneira um tanto confusa, temos mortes que se repetem frequentemente e, por outro, outras que ocorrem esporadicamente, ambas de pessoas inocentes em situações injustas, mas uma não gera a mesma resposta pública que a outra. Em termos gerais, as sociedades ocidentais desdenham o que acontece a milhares e milhares de quilômetros, tanto em um sentido literal, geográfico, quanto em um metafórico, cultural; e, por outro, lamentam profundamente o que de início parece mais próximo. Algo que acontece no Oriente Médio não parece ter o mesmo peso específico emocional que um fato trágico nos Estados Unidos.
- "Equivocado ou não, provavelmente seja a natureza humana, ou ao menos do instinto humano", escreve Glenn Greenwald no The Guardian.

Nesta oposição não deve ser descartada certo processo de colonização ideológica. "As ideias da classe dominante são as ideias dominantes em cada época", escreveu Marx em alusão ao fato de que o sistema está desenhado para gerar uma base ideológica afim que, no efeito mais útil, reduz a probabilidade de questionamento. Se tendermos a considerar mais lamentável um fato em relação a outro, não é porque somos parte mais ou menos inevitável desta programação feita de ideias preconcebidas, que são potencialmente afins a um sistema que leva em sua essência o desejo de hegemonia e dominação? Lamentamos sobre o acontecido em Boston porque algo em nós está socialmente programado para fazer com que sejam nossas as tragédias dessa "classe dominante"? Trata-se de uma expressão da dialética do amo e do escravo feita para assegurar-nos a cômoda posição do escravo?

Por outro lado, como se tratasse de uma fotografia, igualmente vale a pena considerar o contexto, ampliar o horizonte e perguntar-nos se no fundo a disparidade das reação também está animada por certo marco no qual uma ação parece mais tolerável ou justificável do que a outra. As mortes no Iraque ou Afeganistão, provocadas por "terroristas" ou por exércitos estabelecidos, parecem-nos menos graves porque o mal tem na época moderna e dentro da racionalidade cartesiana um aspecto totalmente normal, banal inclusive, burocrático e inercial: a maldade como um procedimento e um trâmite, como algo das tantas coisas que têm que se fazer. Este é o sentido de um bombardeio no Afeganistão: um dos tantos trâmites realizados na vida cotidiana do homem moderno ocidental.

Do outro lado, um acontecimento como o de Boston, ocorrido em circunstâncias diametralmente opostas -pacíficas, festivas, harmônicas e, em geral, próprias do "homem de bem comum"- parece descobrir a faceta menos domesticada desta potência, aquela relacionada com o imprevisto e o fatídico, contra o qual o ser humano, em um impulso quase metafísico, busca se rebelar. No entanto, ao mesmo tempo, paradoxalmente, é inevitável pensar que o fato obedeceu a um plano, a um cálculo, mas um que saiu dos procedimentos estabelecidos e aceitos. Não se trata de uma ação de guerra, planejada, senão do mal em si, um que talvez queremos crer irracional, mas também é, a seu modo, profundamente racional, só que nascido no terreno dos anormais. E talvez esta contradição do pensamento também influa nas reações suscitadas.

Outro fator que seguramente intensifica a reação da sociedade, ao menos nos Estados Unidos, é a propaganda da chamada "guerra contra o terror", onde uma ameaça por momentos real, mas geralmente ilusória, pulula sobre os cidadãos, tornando indispensável contar com um estado de vigilância interno e um aparelho bélico em massa repartido por todos os cantos do mundo. De novo Greenwald:
- "A história deste tipo de ataques na última década foi muito clara e consistente: são explosões para obter novos poderes governamentais, incrementar a vigilância e despojar as liberdades individuais".

Este estado que poderíamos descrever como de paranoia estratégica, faz com que imediatamente brotem culpados na mente dos cidadãos e na mídia: terroristas árabes, os homens maus. A Fox News, por exemplo, ficou escandalizada ante a omissão da palavra "terrorismo" na mensagem de Obama à nação. A rede do ladino Murdoch está pouco se importando que falar de terrorismo faz com que automaticamente se imagine um grupo de fundamentalistas árabes. Ou seja, o terrorismo mais perigoso provavelmente seja o ambiente mediático e linguístico no qual vivem muitos cidadãos nos Estados Unidos.

Por último, também não podemos eludir outro tipo de colonização: aquela gerada pelo império da imagem. A inundação de fotografias, vídeos e demais relatos gráficos sobre os fatos de Boston, tão característica de nossa época, é surpreendente em comparação com o laconismo dos recursos disponíveis com o que acontece nos países árabes. Em Boston há câmeras de vigilância e smartphones dispostos a todo momento para capturar o ocorrido. Não acontece o mesmo, digamos, em uma zona montanhosa do Afeganistão, de onde não temos imagens das tragédias cotidianas que possam repetir até ao cansaço e a náusea, mas se tivessem, mudaria em algo a opinião dominante que se tem a respeito?

Como se vê, o assunto não é fácil de elucidar. Nestas ações influem circunstâncias evolutivas, psicológicas e sociais, cada uma com seus próprios matizes. Talvez, para além das emoções que cada pessoa possa sentir pelo acontecido, nos ajude a refletir por que pensamos o que pensamos e que efeito tem, para nós mesmos e a pequena porção de mundo que ocupamos, pensar da maneira que pensamos.
Fotos: InFocus.
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Comentários
Bem... nós não podemos fazer as coisas e achar que não haverá consequencias. Os EUA é um dos países que mais esteve envolvido em guerras ou ataques em todas as partes do mundo. É uma ingenuidade achar que fazer mal aos outros não vai atrair mal para você. O brasileiro só adora o jeito norte americano de vida porque o que eles fizeram e fazem em outras partes do mundo como o Oriente Médio, eles não fazem aqui. É muito difícil colocar-se no lugar do outro. Esse tipo de atentado não deveria acontecer nunca em nenhum lugar, mas histórico americano mostra que de certa forma eles sempre buscaram isso.
Interessante o texto, e tenho confessar que fiquei um pouco surpreso. Sempre (desde o 11 de setembro) vi comentários comparando as mortes americanas com as mortes de civis no oriente médio, e na minha cabeça a interpretação não era essa "está errado chorar pelos americanos quando em outros países outras pessoas tbm estão morrendo."
Pra mim sempre foi algo como "Está errado não chorar pelos outros que estão morrendo do jeito que choramos, com razão, pelas vítimas americanas."
Não existe nada pior para desmerecer um artigo do que um tom tendencioso. E de que tendencia eu falo? Aquela fatal de distorcer a verdade dos fatos!
Vamos aos fatos:
- Americanos ou melhor os EUA não são santos! Nunca foram, são hoje a nação mais poderosa da terra! Politica, militar e economicamente falando! E para manter este poder que resulta no chamado estilo de vida norte-americano, os tentáculos dos interesses americanos estão por todo o mundo.
E podem ter certeza, defendem, defenderão e sempre farão o que for possível para manter isso!
Isso explica as guerras atuais que acontecem no Afeganistão?Iraque e adjacências? Sim e Não.
Sim, a partir do momento que algo, alguém, ou o que seja lá como se definem, confronta o poderio norte-americano atingindo a segurança e tranquilidade no seio do seu povo! Como no caso das torres gêmeas e agora da maratona de Boston! E Mais ainda quando os autores posaram de "amigos" e estavam estudando, trabalhando ou mesmo vivendo nos estados unidos desfrutando do estilo de vida tal e qual como se nativos fossem! Por exemplo só para lembrar, os pilotos-suicidas que atacaram as torres gemeas estudaram e treinaram nos estados unidos, desfrutando inclusive de incentivos e programas governamentais americanos para ajudar pessoas carentes, tal qual estes dois canalhas chechenos que já tinham uma vida zilhões melhor do que qualquer coisa que pudessem esperar da sua terra natal e inclusive já eram cidadãos norte-americanos!
Assim dizer que invadir o Iraque foi só pelo petróleo é simplista demais! Há muito mais detrás disto! É claro que o petróleo é um item valiosíssimo, mas americanos sabem há muito mais tempo do que qualquer empresário brasileiro que é impossível ficar com toda a riqueza só para si mesmo! É preciso compartilhar! Mesmo que apenas uma migalha seja compartilhada, já resulta em riqueza muita para a miséria do povo daquela região!
Se isto é moral ou imoral? É sempre imoral quando qualquer entidade politica acha que sabe o que é melhor para o povo! É preciso então legitimar ao povo alguma forma de escolher o governo que quer para si! E isto acreditem! É o que ingenuamente os norte americanos tentam fazer em segundo plano aonde se envolvem em guerras! Já deu certo alguma vez? Sim! Japão,Coréia do Sul, Alemanha, algumas das mais fortes economias mundias e países hoje de primeiro mundo!
E quem pode dizer que como acontecia na antiga URSS, os norte-americanos escravizaram algum povo? Pois é!
E Agora vamos falar dos inocentes afegãos e iraquianos mortos na guerra:
É claro que soldados americanos e de outros países não estão lá para atirar ou bombardear indiscriminadamente alvos civis, e ou promover massacres. Civis morrem e morrerão sempre pois é tradição estratégica dos insurgentes misturar-se ao povo ou estabelecer-se próximos a inocentes para dificultar a ação dos exércitos regulares, de tal modo que toda ação dos exércitos ocidentais e pontuada de numerosas baixas primeiramente entre os próprios soldados que expõem-se em demasia para tentar poupar os inocentes! Mas há um momento que terá que haver reação! E é aí que as merdas acontecem!
Muita gente posiciona-se aqui no MDIG gratuitamente de forma anti-americana! E eu não sou pró-americano por tentar aqui dar uma dimensão neutra aos comentários dos fatos!
Apenas acho que nunca devemos distorcer a realidade por não simpatizarmos pessoalmente com algo, alguém ou um povo!
Ok, Juliane, sem mal-entendidos.
revolt4d4, eu não estava falando do seu comentário. (caso seja isso que esteja pensando) Estava falando do assunto mesmo em si, nem li os comentários antes de postar.
Falei dos próprios americanos e à quem a carapuça servir. Não citei nome algum em meu comentário. V
Que disse que eu lamentei?
Lamento com certeza pelas mulheres e crianças mortas no Afeganistão e Iraque, as realidades são muito diferentes.
A alguns dias lamentando três mortes, hoje, comemorando mortes (uma concretizada e outra iminente) .
Sobre o tilulo do post,alguns minutos depois do acontecido eu tb pensei nisso. :roll:
Parabéns pelo texto, Luizão. A reflexão sobre os inúmeros pesos e medidas em nossa sociedade só mostra o quanto a liberdade de pensamento e de informação fazem falta, neste mundo onde tudo se diz mundializado, embora isto implique em homogeneidade e não diversidade de posições e apresentação das múltiplas facetas das notícias. Por isto que gosto daqui. Um pouco de tudo. E tudo gera discussão e dúvida. No caso destes fatos apresentados, a conclusão que tiramos é que, se há uma tendência, a qual me parece natural, de solidarizar-se com o que nos é mais próximo (fato este ideologicamente usado para justificar a parcialidade da mídia enquanto difusora do pensamento vigente), deveríamos entender que, o povo, a grande massa de vítimas dos erros e manipulações institucionais e ideológicos, tem por direito sentir-se solidários uns com os outros em meio à luta que se trava nas esferas de poder. Luta esta a qual o povo não tem controle e é o primeiro a sofrer seus efeitos. Árabes afegãos, iraquianos ou palestinos, judeus não-sionistas, americanos civis... todos são vítimas do mesmo jogo. Se é possível unir pessoas em torno dos interesses de Estado, deveria ser possível uni-las pela realidade e pela dor comuns a todos. Acho que, um dia, isto vai acontecer. Os que são vitimados pelo sistema hão de sentirem-se iguais em sua situação.
Sabe porque? porque rico sofrendo é mais bonito de se ver do que pobre analfabeto, dá um ar de: "superação deles, e isso nos motiva"..
Ótimo texto. Os autores já foram identificados e um morreu em confronto com a polícia.
http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/04/boston-policia-identifica-suspeito-foragido
É muito normal que muita gente odeie os americanos, porém uma coisa não exclui à outra, achar que os civis americanos merecem ser assassinados só porque seu governo faz coisas erradas, é como achar que os cubanos merecem viver no isolamento porque seu governo é autoritário, ou achar que milhões de brasileiros merecem viver na pobreza só porque o governo é formado por uma quadrilha de ladrões. Uma coisa é uma coisa, outra coisa... :twisted:
Ótimo texto, muito reflexivo, parabéns. Minha opinião é que todos estamos já calejados, saturados da exposição de violencia, agora a compaixão pouco importa pois, se ainda existe é imposta pela mídia.E para quem acha que é problema unicamente do outro, pare para pensar, quantas vezes você passou por um desafortunado pedinte, medigando centavos para sobreviver e tudo que conseguia pensar era que seu vizinho FDP mudou a senha do wifi. Ao entrarmos na internet choraremos juntos com a noticia de pessoas que morrem de fome. Hipocrisia em sua maxima. Mas enfim, se não nos importamos com quem esta ao nosso lado, como desastres como esse trazem tanta comoção? Sera que essa comoção não é imposta, talvez da forma mais lúdica, apenas noticiando?
Oi Firelow. Como já comentei algumas vezes, escrevo conforme vou pensando. Neste caso eu escrevi primeiro "saldo de 3 pessoas mortas, entre elas". Depois quando revisava decidi simplificar para "saldo de 3 mortos, entre elas" e esqueci de mudar o pronome. ^^
Obrigado pela correção.
Abraços fraternos!
agora tá melhor hehe
e valeu jack, valeu :fool:
Excelente texto Admin... Parabéns!!!
Assim como alguns ai em baixo (Luke, Moon, PH) eu também não me comovo mais com tragédias desse e de outros tipos.... as pessoas morrem todos os dias, tragicamente, banalmente, sempre foi assim...
Hoje temos acesso a informação em tempo real, imagens, vídeos, todo tipo de cobertura... saber como essas coisas acontecem, afeta as pessoas um pouco mais... A humanidade ja viveu tempos bem mais violentos, mas as pessoas não envolvidas "só ouviam falar".
Brilhante o texto, adorei, traz uma reflexão profunda e imparcial, analisando não somente 1a "metade da laranja", + sim todos os aspectos socias e político-ideológicos envolvidos no caso. Estava esperando por 1a opiniao deste tipo, e concordo com vc viu. Nao achei 1 evento digno de grande comoção, até mesmo pq acontecem vários "atentados" ou ações suspeitas com certa frequencia nos EUA, as pessoas lá já estao acostumadas a isso, com a segurança rigorosa e tudo +, além do q esse fato nao foi nada além do esperado de 1 país com 1a política externa tão manipuladora, com invasóes no oriente médio e todo o suporte bélico dado a Israel p/ financiar as guerras internas. Eu acho é pouco (claro q me sensibilizo pelas vítimas q afinal são INOCENTES, + qtos inocentes tb nao morreram desde a guerra do Vietnã, vou + longe desde a 1ª GUERRA MUNDIAL? e quem se deu bem hein? os EUA é claro, que se tornaram potencia mundial pouco depois, e parte disso se deve ao apoio economico e belico feito atraves de emprestimos a Triplice Entente (frança, inglaterra e rússia) e outros países aliados na europa- boas e velhas aulas de história hehe- a partir daí a política IMPERIALISTA dos EUA se intensificou + ainda com a 2ª guerra e principalmente na Guerra Fria e hoje taí o resultado da DOMINAÇÃO neh, tudo tem seu PREÇO ). Só q hj, infelizmente, grande parte da população brasileira nao tem acesso a outros meios de comunicação q nao seja a televisão, ou se tem não faz bom proveito - da internet, por exemplo (vamos parar de só entrar no facebook e ir tb atrás de 1 pouco de conhecimento? tá na hora de questionar 1 pouco tudo q nos é transmitido )-, e a mídia televisiva #globo #jornal nacional (q eh o q a maioria assiste :\ ) continua explorando caso a QUASE 1 semana, qto sensacionalismo viu, já superou a record. Lamentável a situação do nosso país sem opinião própria, realmente triste...
Mais uma ignorância de algum grupo radical sem noção nenhuma de civilidade e respeito ao próximo.
Firelow, 3 mortos, e não três pessoas. "Mortos" está no masculino.
"Por que a tragédia de Boston nos comove e as crianças e mulheres mortas no Afeganistão e Iraque não?"
Apenas o título já é subversivo.
Excelente texto, entre os melhores que li aqui no MDig!
"deixou um saldo de 3 mortos, entre ELAS um garoto de 8 anos"
Indiferente.
Não é opinião pública, é a mídia, é jornal nacional que consegue manipular informações e ser ''imparcial'' nas notícias, noticiando somente o favorável a classe dominante.
Claro que essa é uma tragédia, também como foi tragédia o incêndio na discoteca Kiss, e esses fatos foram super comentados e polemizados, enquanto criança morre no hospital e Afeganistão é constantemente atacado e ainda leva fama de mau.
Toda essa discussão, mas a essencia é simples. o mundo é muito aleatorio, mais do que todo mundo imagina, as coisas acontencem na maioria das vezes sem motivo. As pessoas não gostam e não podem entender isso, tem que existir culpado, ou razão para tudo. As vezes até existe, mas a sequencia de eventos é uma tempestade perfeita, é humanamente impossivel saber a causa raiz.
Por isso, como o luke skimel parei de me importar tambem. Meu tempo é curto e pouco posso fazer. De qualquer forma, como não assisto televisão, se não viesse ao mdig, nem saberia. Assim como os africanos que não tem acesso a televisão nem sabem o que acontece, estão eles errados em não saber porque são ignorantes? estou eu errado por saber e não me importar? em ambos casos não. Se voce sabe de algo, não pode fazer nada, então não precisa ter culpa alguma em não se importar. Não é ser frio, é apenas ser racional, assim como todos os outros 7 bilhoes de pessoas nem se importam com os meus problemas, nem devem e eu nem quero que se importem.
Eu entendo, Luke... Eu acho que é tanta coisa ruim acontecendo que acaba se tornando apenas mais um atentado em meio a todos os outros.
Como diz um livro que eu li, a medida em que as coisas ruins vão acontecendo com mais frequência, a compaixão que temos dentro de nós vai esfriando. E não é por maldade, é uma consequência, apenas.
A algum tempo já parei de sentir qualquer comoção com alguma tragedia. Não é ser frio, e fale mal de mim o quanto quiser, mas não me afetou, não sinto dor alguma.