![]() | 2.000 anos após a humanidade domesticar plantações e gado, alguns fazendeiros deram início à próxima inovação agrícola da humanidade: o pastoreio. Esses criadores de gado pioneiros guiaram estrategicamente os animais para áreas de pastagem sazonais. Seu estilo de vida móvel permitiu que eles desenvolvessem relações comerciais com comunidades e fazendeiros ao longo de suas rotas. E esse modo de vida proporcionou aos pastores riqueza, status social e independência política até o século XX. |

Hoje, existem centenas de milhões de pastores móveis, operando em todos os continentes, exceto na Antártida. Do Himalaia aos Andes e aos Alpes, eles criam ovelhas, cabras, gado e iaques.
Os pastores saami trabalham com renas em pastagens árticas. Os pastores gujjar no norte da Índia criam búfalos. E todas essas comunidades trabalham de forma sustentável com seus ambientes para produzir alimentos e outros produtos animais.
Na região andina no sul do Peru, os pastores criam principalmente alpacas, bem como algumas lhamas e ovelhas. A maioria desses pastores depende exclusivamente do trabalho familiar para manter seus rebanhos de 100-300 animais e pratica tradições ancestrais para administrar seus territórios e cuidar de seus rebanhos. Esta área é impactada pelas estações seca e chuvosa, e seus padrões de migração são impactados por elas.
No entanto, no último século, políticas sociais e econômicas trabalharam contra essas comunidades, impedindo seu acesso a recursos básicos e tornando-as mais vulneráveis às mudanças climáticas.
Leis de regulamentação da carne, seus derivados e do leite praticamente proíbem que estas comunidades vendam seus produtos, com os produtores fazendo lobby para que estas pessoas sejam perseguidas.
E uma região onde essas questões são especialmente aparentes é a África Subsaariana. Essa região abriga milhões de pastores que produzem a maior parte da carne e do leite consumidos em seu continente. No entanto, ao longo do final do século XX, vários programas tentaram incentivar essas comunidades móveis a se estabelecerem.
Os governos limitaram seu acesso a serviços públicos como saúde e educação. Eles criaram poços de água designados para manter os pastores em regiões específicas durante todo o ano. E grandes áreas de pastagens historicamente compartilhadas por pastores foram privatizadas ou convertidas em reservas de vida selvagem. A motivação por trás dessas políticas variou muito.
Alguns programas eram esforços sérios, mas equivocados, para modernizar um antigo modelo agrícola. Outros eram tentativas de controlar o que os governos percebiam como populações incontroláveis. Mas o resultado final era sempre o mesmo. Ao restringir como os pastores subsaarianos poderiam usar a terra, essas comunidades se tornaram mais pobres, menos sustentáveis e menos resilientes economicamente.
E em uma região que depende do pastoreio há milênios, essas mudanças tiveram um impacto enorme. Historicamente, os pastores subsaarianos ajudaram a manter as pastagens africanas saudáveis, orientando seus rebanhos a pastar quantidades específicas em áreas específicas. Sua migração sazonal impediu que a terra fosse sobrepastoreada e o esterco fertilizante de seus rebanhos regenerasse o solo.
Mas as políticas que restringem seus movimentos tornaram esse tipo de gestão da terra incrivelmente difícil. Essas políticas também tornam os pastores menos resilientes às mudanças climáticas. Enquanto as secas globais estão aumentando à medida que o planeta esquenta, os pastores são especialistas em acompanhar a chuva e ler a paisagem para saber como a seca impactará diferentes áreas.
Historicamente, isso permitiu que os pastores mantivessem seus rebanhos independentemente do clima. Mas essas técnicas não podem ajudar comunidades confinadas em terras atingidas pela seca. E quando seus rebanhos ficam doentes, as consequências podem ser mortais. Rebanhos doentes podem causar surtos de doenças que colocam em risco o gado e os humanos.
Mas mesmo sem surtos, rebanhos doentes se tornam improdutivos, limitando o que os pastores têm para vender. Para piorar as coisas, os pastores subsaarianos são forçados a vender seus produtos em mercados informais que operam com supervisão mínima. E como esses mercados funcionam em escala internacional, eles colocam as comunidades pastoris umas contra as outras, resultando em preços de venda geralmente baixos e extremamente voláteis.
Isso deixa os pastores com rendas instáveis e uma dependência de intermediários que cobram altos preços de transação. Os pastores em todos os continentes estão enfrentando alguma versão desses problemas. Mas espero que as soluções que estão sendo buscadas na África Subsaariana possam inspirar mudanças globais.
Junto com grupos governamentais e ONGs, os movimentos pastoris de base estão defendendo a restauração de reservas de pastagem protegidas e a melhoria de serviços públicos, como clínicas de saúde móveis e escolas adaptadas ao movimento pastoral.
Alguns grupos estão tentando criar novos sistemas de mercado que estabeleceriam padrões para a qualidade da carne e preço de venda para evitar a exploração por intermediários. Outros estão trabalhando para garantir preços justos para pastoras, que já representam 50% dos pastores subsaarianos.
E os defensores também estão trabalhando para melhorar a saúde animal com novas vacinas, serviços veterinários acessíveis e sistemas de marcação de gado para rastrear surtos de doenças.
Mas talvez a mudança mais importante seria os governos reconhecerem o valor da mobilidade pastoral. O pastoreio tem sustentado inúmeros ecossistemas e economias por milênios, e abraçado o conhecimento que sustenta que a história é essencial para o futuro da Terra.
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