![]() | Se você já assistiu a super-produção da Netflix, não há muito o que falar além da sua própria opinião sobre o filme, mas se você ainda não viu talvez devesse. O filme tem de tudo: a plataforma perfeita: Netflix. Um ator mítico: Will Smith. Um roteiro interessante: a cidade de Los Angeles moderna, mas cheia de orcos, elfos e humanos tolkenianos na qual de repente acontece "algo". O resultado, devo eu, Nerd Guy, dizer, é bem esquisito, mas não tirei os olhos da tela durante as suas duas horas e não vou entrar em detalhes para não causar spoiler. |

Nós não tratamos de reviews e filmes no blog, mas o eterno desencontro entre crítica e público abriu um novo capítulo ao redor do filme. A crítica verdadeiramente destroçou a superprodução do Netflix, questionando como o resultado dessa conjunção de elementos tão promissores rendesse um filme tão desconexo, incoerente e ruim. Mas estranhamente o público adorou Bright que bateu todos os recordes de audiência, com 11 milhões de espectadores em seus três primeiros dias.
Com a sequência já assegurada, o CEO da empresa, Reed Hastings, decidiu que era hora de chutar algumas bundas de críticos. Reed agarra-se a esta última cifra para defender o filme e diz sem papas na língua que está pouco se importando com os críticos e que o importante é que seja um sucesso de audiência. Ele disse que os críticos estão muito desconectados do gosto popular.
- "Se as pessoas estão vendo este filme e gostam... para mim essa é a medida do sucesso. A crítica é uma parte importante do processo artístico, mas está completamente desligada das expectativas comerciais de um filme.'

Não é novidade nenhuma que a crítica cinematográfica, aliás todo tipo de crítica institucionalizada, deve ser consumida sempre em pequenas e saudáveis doses, mas daí a dizer que os números de público são a medida do sucesso também há controvérsias. Se a audiência de um produto cultural fosse a única medida de sua qualidade, então o pornô ganharia todos os prêmios Oscar todos os anos, e esse não é o caso.
No cinema, a qualidade cultural ou intelectual e o entretenimento podem andar perfeitamente de mãos dadas (mas não muito). Defender a prevalência da quantidade de audiência sobre a qualidade parece muito àquele provérbio que diz que 10 milhões de moscas não podem estar equivocadas. Mas Bright evidentemente não é um firme pornô e tem qualidades sim; apenas parece ter caído no desgosto da crítica e virou modinha falar mal dele.

De qualquer forma, Reed tem uma certa razão porque a critica foi bem incisiva sobre o roteiro e algumas coisas que aparecem no filme, que novamente não posso contar por causa do spoiler. Sendo sincero vi o filme às duas da madrugada com zero expectativas, pensando que era horroroso por todas as criticas que recebeu,. Os primeiros quinze minutos foram estranhos, estranhos mesmo. Não sabia se seguia devido ao tremendo sono que tinha ou continuava vendo aquela coisa esquisita. Depois, sem perceber, me enrolei no tema, fique estupefato com o seu desenvolvimento e em um abrir e fechar de olhos chegou ao fim.
Senti um ar de satisfação emocional ao recordar algumas partes. Senti que não perdi meu tempo, cai no sono profundo e no dia seguinte assisti de novo. Comentei com meus amigos do trabalho e eles também gostaram. Há que se levar em conta que é ficção. Então há algumas coisas bem inverossímeis, mas se um sujeito que usa cueca por cima do pijama ou um milionário que se fantasia de morcego fazem sucesso no cinema porque Bright não faria?
Ademais, os críticos seguem a onda do que lhe é favorável segundo a opinião pública, e é muito fácil desancar um filme novo. Foi assim com Blade Runner, criticado até o osso e depois virou o maior cult do cinema. Agora, com Blade Runner 2 a crítica foi altamente panegírica e o filme foi um fracasso de público. Então...
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Comentários
Bright é ótimo. Pra quem curte ficção é um prato cheio. Ponto!
Em tempo: não assisto mais DC nem Marvel, esses já encheram o saco. É ótimo ver coisas diferentes, como Bright!
Crítico sempre foi um bosta, pra mim...
Então, se eles dizem que é ruim, fico louco pra assistir, porque sei que vou gostar...!
:-)
mas o primeiro Blade Runner também foi um fracasso absurdo de publico.
só virou cult depois da terceira remontagem, então do diretor, nos anos 90
e todos sabemos que um sucesso «cult» não é realmente um sucesso.
Filmes da NetFlix?
Se eu mencionar «War Machine» com Brad Pitt, você me entende?
Pra ser ruim tem que melhorar muito.
Esse não assiste e não pretendo.
Tenho bastante reservas quanto ao viés francamente americanóide e melodramaticamente piegas em alguns posts do Blog, mas esse em especial, assim como a maioria dos posts, é muito bom de se ler.
Pode-se até não concordar com o autor, mas não dá pra negar que o texto flui com um sabor que remete às críticas saborosas do saudoso Sergio Porto. Parabéns.